Baby Driver é um filme americano de 2017 realizado por Edgar Wright com Ansel Elgort, Jon Hamm, Jamie Foxx e Lily James nos principais papéis.
Largos dias após a sua estreia mundial, Baby Driver finalmente estreou em Portugal. Tendo-me dado tempo para ver uma série de clássicos que o inspiraram, foi provavelmente o filme dos últimos tempos para o qual fui com mais expectativas.
No seu retorno a Hollywood, Edgar Wright decidiu fazer um filme de carros inspirado nas grandes obras dos anos setenta e oitenta que definiram o género. Tal como nessas obras, a história do filme foca-se muito na vida e decisões tomadas pelo herói principal.

“Baby” é o herói do filme, um condutor de fuga virtuoso, que entrou para a vida de crime devido a erros passados. Órfão desde tenra idade, “Baby” sofre de tinnitus devido ao acidente que causou a morte dos seus pais e que o marcou para a vida. De modo a abafar o zumbido constante nos ouvidos que esta doença lhe causa, “Baby” está constantemente a ouvir música, utilizando-a de forma meticulosa nos seus trabalhos de fuga.
Com uma história simples que se pode resumir a “Rapaz conhece rapariga”, Baby Driver destaca-se pelos pormenores e pela forma inventiva que se destaca dos filmes do género.

Em primeiro lugar há que destacar a música. Há uma playlist constantemente a tocar ao longo do filme, não me recordando eu de outro filme que utilize música de uma ponta à outra quase sem interrupção (mesmo em musicais).
É uma escolha bastante arriscada por parte do realizador, mas que na minha opinião funciona. A maneira como esta é utilizada de forma original, espelhando a personalidade de um protagonista bastante taciturno, faz com que não se torne cansativo. Além da música ser bem utilizada, Baby Driver contém uma banda sonora excelente.

Desde a incrível cena inicial ao som dos blues agressivos de “The Jon Spencer Blues Explosion”, passando por baladas de “Beck” e “T-Rex”, o punk dos “The Damned” até ao hip-hop dos “Run the Jewels”, quase todos os géneros musicais são utilizados durante o filme, compondo uma banda sonora que se ouve em repeat nos dias que se seguem à visualização do filme.
Para acompanhar a excelente banda sonora, o filme está recheado de excelentes cenas de acção. As cenas de perseguição automóvel (e mesmo a pé) são incríveis, tendo Edgar Wright privilegiado a utilização de efeitos práticos, o que aumenta o realismo e espectacularidade destas. Acabam até por saber a pouco, e embora não fizesse muito sentido haver mais, fica-se sempre com vontade de ver mais quando o entusiasmo criado por estas nos põe constantemente na ponta da cadeira.

Um dos únicos defeitos que aponto ao filme é a relação entre Baby e Debora (Lily James) ser demasiado estável, não havendo conflito entre os dois mesmo quando as coisas chegam ao pior ponto possível.
Baby Driver pode não ser a melhor obra de Edgar Wright, mas continua a ser um dos melhores filmes dos últimos tempos. A maneira distinta como o realizador planeia e executa as suas obras continua a ser uma razão mais que suficiente para se ver este filme em sala de cinema.
