Uncharted 2: Among Thieves e Uncharted 3: Drake’s Deception são dois videojogos publicados pelo estúdio Naughty Dog em 2009 e 2011 respectivamente.

Um dos poucos jogos que acabei nos últimos anos foi o Uncharted original, tendo na altura ficado a promessa que um diria acabaria a trilogia para a PS3 (algo que sinceramente nunca pensei que iria concretizar). O primeiro Uncharted foi um jogo de acção que gostei bastante, mas sem dúvida que fiquei muito surpreendido pela evolução a todos os níveis que o segundo e o terceiro jogo trouxeram ao franchising.

Se o primeiro jogo é um jogo de acção mais clássico, o segundo e o terceiro são autênticas experiências cinematográficas. Lançados há aproximadamente uma década (um dos jogos é de 2009 e o outro de 2011), continuam ainda a ser excelentes videojogos que praticamente não envelheceram.

A história de ambos os jogos é excelente, com o protagonista a ter mais carisma que 90% dos heróis de acção de hoje em dia no cinema. Numa altura em que os filmes de aventura andam longe da qualidade dos anos 80 e 90, a história de ambos os videojogos fez-me recordar os míticos filmes de Indiana Jones.

Embora tenha gostado mais do terceiro jogo, devido a conter elementos da história de origem de Nathan Drake e principalmente uma sequência de acção num avião que é do mais fantástico que já vi num videojogo, a verdade é que ambos os jogos andam muito aproximados em termos de qualidade.

Se formos por termos de evolução no franchising, obviamente que teria de considerar o segundo jogo superior. Uncharted 2 pega em alguns dos personagens do primeiro jogo e desenvolve-os bastante a nível pessoal, tornando-os parte fulcral da história e saindo da sombra de Drake, que tomava para si quase todo o protagonismo no primeiro jogo. Além disso, introduz também alguns personagens que são importantes nos capítulos seguintes.

Com um início de jogo tremendo onde o protagonista se tem de salvar de um comboio prestes a cair de um precipício, percebemos rapidamente que este capítulo inicial faz parte de um momento mais avançado na narrativa, voltando então o jogo atrás no tempo com o intuito de nos mostrar todas as peripécias que levaram àquela situação.

Com um sistema de combate melhorado, cenários épicos que nos levam até às Montanhas do Nepal e cenas incríveis de perseguição seja em carro ou em cima de um comboio a alta velocidade, Uncharted 2 é um autêntico filme interactivo, onde não falta um vilão com intenções de dominar o mundo e um triângulo amoroso que envolve o protagonista. Elena Fisher e Chloe, apesar de serem os interesses amorosos do protagonista, são muito mais que isso, assumindo-se como personagens fulcrais para o desenvolvimento da história (tendo Chloe até direito a um videojogo da saga onde é a protagonista).

Obviamente que após a excelente experiência que tive a jogar o segundo jogo, parti para o terceiro com altas expectativas e estas, felizmente, não saíram defraudadas. Embora haja um quarto capítulo da saga (que um dia quando tenha uma PS4 irei jogar), a verdade é que este capítulo teria funcionado perfeitamente como o último da saga.

Numa aventura que leva os protagonistas a vários cantos do mundo, Uncharted 3 é provavelmente o capítulo da saga mais íntimo, com a relação entre Nathan e Sully a ser mais explorada que nos capítulos anteriores da saga. Para além de uma história épica com momentos inesquecíveis (como podermos jogar com a versão criança de Nate, o deambular do protagonista à noite pelo deserto, cenas de pancadaria épicas num avião e até cenas de perseguição a cavalo), o jogo destaca-se também pela equipa formada ao longo do jogo, que dá um maior sentimento de companheirismo na luta contra um inimigo comum.

A opção de dar liberdade de improvisação nas cenas de diálogo aos actores de voz cria uma ambiente de jogo muito envolvente, sendo fácil de esquecer que estamos perante personagens virtuais.

Bem, penso que se não tivesse decido pegar nestes dois jogos como início do meu retorno ao mundo dos videojogos, provavelmente a motivação para continuar a explorar tudo o que perdi ao longo da última década não seria a mesma. Obviamente que a possibilidade de “explorar todo o mundo”, nem que fosse virtual, teve um sentimento especial nesta altura de confinamento, mas são sem dúvida duas obras de arte que conciliam uma grande história, uma excelente mecânica de jogo e uma banda sonora épica cujo tema principal se tornou um marco na história da indústria.

Uncharted não precisa de uma adaptação a filme, os filmes é que necessitam de se inspirar mais neste excelente franchising de videojogos.