Do a Powerbomb é uma banda desenhada da autoria de Daniel Warren Johnson publicada em 2022.

O wrestling, como referi no meu artigo sobre o filme They Live, é um espetáculo que preencheu as manhãs dos fins-de-semana da minha infância. Mesmo sabendo que os combates eram coreografados, a espetacularidade dos golpes, a agilidade mostrada nas lutas e as personalidades distintas dos lutadores criaram um espetáculo que capturava a minha imaginação.

Não acompanhando tão de perto atualmente, a premissa de “Do a Powerbomb”, uma das obras mais recentes de Daniel Warren Johnson, voltou a transportar-me para esse mundo com uma premissa bastante interessante: o que aconteceria se tivéssemos oportunidade de ressuscitar alguém que amamos ao vencer um torneio de wrestling?

Do a Powerbomb foca-se na jornada de Yua Steelrose, uma jovem lutadora de wrestling que carrega o peso da perda da sua mãe, uma estrela do wrestling, que morreu tragicamente durante uma luta. Yua cresce com o desejo de honrar o legado da mãe. No entanto, há um obstáculo: Yua não é aceite no circuito tradicional de wrestling, o que adiciona um lado de rebeldia à sua personagem.

Tudo muda quando é abordada por um misterioso necromancer chamado Necroton, que lhe oferece a possibilidade de participar num torneio sobrenatural, com adversários também eles sobrenaturais, onde o prémio final é o poder de trazer a sua mãe de volta à vida.

Um dos pontes fortes de Do a Powerbomb é a sua capacidade de misturar a ação com uma narrativa emocionante. Cada lutador no torneio tem a sua própria história de dor e arrependimento. Não estão ali apenas para ganhar ou perder — têm algo a provar a si mesmos, ao público, e, em muitos casos, às pessoas que amaram.

Para além disso, o facto da maior parte dos lutadores não serem humanos, mas criaturas de outros planetas ou realidades, torna a história ainda mais apelativa, misturando as lutas galácticas do mundo dos comics e anime com as lutas de wrestling dos sábados de manhã da minha infância.

Yua é uma protagonista que evolui ao longo da narrativa, enfrentando não apenas os adversários, mas também a culpa e o pesar que carrega. É uma história de superação, mas sem cair em clichés. Johnson trabalha muito bem os momentos de introspeção entre os combates, onde Yua revisita o passado, questiona as suas escolhas e redefine-se como pessoa e lutadora.

No fundo, Do a Powerbomb é uma história sobre legado e aceitação, sobre tentar seguir os mesmos passos dos que vieram antes de nós, ter sucesso e ser acolhidos por isso.

Do a Powerbomb prova que o wrestling, com todo o seu espetáculo e teatralidade, pode ser tão impactante e emocional como qualquer outra forma de arte. Aí se concentra a magia Do a Powerbomb: no meio de golpes e acrobacias, personagens e cenários surreais, encontra-se uma reflexão tocante sobre perda, legado e o as razões pelas quais lutamos por aquilo ou aqueles que amamos.