Vanishing Point é um filme americano de 1971 realizado por por Richard C. Sarafian com Barry Newman no principal papel.
Kowalski (Barry Newman) é um “entregador” de carros, que viaja pelos EUA a levar automóveis de uma ponta a outra conforme lhe é pedido. Quando tem nas nas suas mãos um Dodge Challenger branco que é suposto entregar três dias depois após o início do trabalho, este aposta com um amigo que consegue levar o carro de Denver a São Francisco (uma distância de quase 2000kms) no curto espaço de um dia. Com a cabeça cheia de speed, Kowalski faz-se à estrada a uma velocidade estonteante para cumprir o seu objectivo.

O filme leva-nos numa viagem pela América pós-Woodstock e durante a guerra do Vietnam, com a vida de Kowalski a ser revista em flashbacks em momentos chave durante o filme. Na sua fuga à polícia por três estados, Kowalski encontra todo o tipo de personagens “estranhos”, enquanto a sua fuga é relatada de maneira entusiástica por Super Soul (Cleavon Little), um DJ afro-americano cego de uma rádio de Nevada.
Enquanto lhe vai sendo dada música por este seu fã e o número de adeptos da sua fuga cresce, também aumenta a carga policial que o persegue, sendo Kowalski obrigado a utilizar todo o seu talento ao volante de um automóvel para fugir aos agentes da lei.

Vanishing Point faz de certo modo lembrar o clássico Easy Driver, com um marginal a viajar pelo Estados Unidos e a relacionar-se com pessoas cujo tipo de vida não entra propriamente na norma social da altura. Kowalski é um anti-herói conturbado, um veterano de guerra que usa e abusa de drogas para lidar com os traumas do seu passado. Obcecado pelo seu trabalho, fá-lo pela adrenalina que este lhe trás e não propriamente pelas razões monetárias.
Embora simples, o enredo do filme faz uma análise interessante aos EUA dos anos 60-70, com muito dos tópicos de maior destaque da altura (racismo, guerra do Vietnam, hippies) a serem alvo de referência durante o filme.

Para além do enredo, o filme destaca-se por duas razões: as excelentes cenas de perseguição automóvel e a banda sonora, duas partes que se complementam uma à outra. O Dodge Challenger R/T utilizado por Kowalski é lindo. Um muscle car americano que se destaca de todas as outras viaturas do filme. Não admira que Quentin Tarantino tenha utilizado o mesmo carro no seu mal-amado Death Proof (filme que gosto bastante).
As cenas de perseguição automóveis são incríveis, tendo um certo nível de realismo que ajuda à sua espectacularidade. Kowalski não faz saltos de vinte metros com o carro ou conduz em cima de gelo a partir. É um condutor hábil que se desvia de forma inteligente de quem o quer parar na auto-estrada, metendo-se por atalhos sempre que necessita. Os efeitos práticos utilizados e habilidade demonstrada na condução fazem ainda hoje inveja à maior parte dos filmes de carros lançados para o mercado.

A banda sonora acompanha de forma perfeita as cenas de fuga a alta velocidade. Com a maior parte do filme a passar-se com Kowalski a acelerar com dentro do Dodge Challenger, o DJ Super Soul vai entusiasticamente ajudando ao meter músicas que se adaptam à fuga do protagonista.
Tendo tido conhecimento deste filme quando o vi referido pela primeira vez no Death Proof, Vanishing Point é um clássico dos filmes de carros, que será excelente para quem gostar deste tipo de filmes. Eu gostei.
