X-Men Legacy: Legion é uma banda desenhada publicada em 2017 (Omnibus) da autoria de Simon Spurrier com Tan Eng Huat e Jorge Molina como ilustradores.
Com a saída da série de TV do personagem, fiquei interessado em saber mais sobre David Haller aka Legion, o malfadado filho de Charles Xavier e Gabrielle Haller.

Para isso, não me dediquei a ir à origem do personagem na BD, tendo escolhido uma história mais recente. Fazendo parte do evento de relançamento da Marvel intitulado “MARVEL NOW!”, esta história de Legion, escrita por Simon Spurrier, pode ser encontrada nos fascículos 1 a 24 da publicação “X-Men Legacy (2012)” ou no Omnibus “X-Men Legacy: Legion”.
David Haller é um dos mutantes mais poderosos do mundo, albergando na sua mente milhares de personalidades das quais consegue utilizar os poderes. Tendo bastante dificuldade em manter a sua estabilidade mental, esta história passa-se num momento traumático da vida de “Legion”, quando o mesmo é confrontado com a morte do seu pai, Charles Xavier, às mãos de Cyclops.

Ao longo dos vinte e quatro fascículos desta série de Legion, vamos acompanhando a saga de David Haller enquanto este tenta retomar o controlo absoluto da sua mente. Ao mesmo tempo é confrontado com vários adversários, alguns deles velhos amigos (os X-Men fazem sempre questão de fazer uma visita ao seu “velho amigo”) e outros vilões mais familiares ao leitor. No entanto, o maior adversário de David Haller continua a ser ele próprio, passando-se grande parte da acção desta obra dentro da cabeça de Legion.
Após tomar a decisão de tomar o controlo da sua mente, Legion viaja por todo o mundo, de vez em quando em auxílio de outros mutantes e outras vezes por razões pessoais. Estas viagens são motivadas pelo confronto com uma entidade estranha logo no início da obra, que acabará por se tornar um dos maiores adversários de David ao longo da história.

O facto de David andar a saltar entre vários países torna possível que o número de personagens seja bastante extenso. Aparecem muitas caras nesta história, algumas bastantes familiares e outras nem tanto assim (pelo menos para mim, aparecendo vários mutantes que desconhecia completamente).
Caracterizado como um personagem egocêntrico e independente, Legion procura redenção nesta história, tentando de certa forma emular o papel do seu pai na procura de um mundo mais justo para os mutantes. É interessante ver a diferença de ideologias entre pai e filho nesta história, tendo David Haller uma visão completamente diferente do seu pai de como deve ser travada a luta pelos direitos dos mutantes.

Um dos pontos fortes desta série vai para a relação entre Legion e Blindfold, a única mutante que tem alguma espécie de controlo sobre a mente de David Haller devido à relação íntima que ambos vão construindo ao longo da história.
A mente de David Haller é outro sítio fantástico, sendo uma espécie de prisão em motim onde as milhentas personalidades do personagem principal se confrontam de forma caótica. É sempre divertido ver David a tentar controlá-las, funcionando cada uma como uma peça de um puzzle que vai tornando David mais forte à medida que são postas no seu lugar.

Outro destaque desta obra vai para a sua arte, o traço de Jorge Molina e Tan Eng Huat criam um espetacular mundo psicadélico dentro e fora da mente de Legion, sendo a série visualmente muito atractiva.
Como referi antes, não tinha grande conhecimento do personagem até ler esta série, mas gostei bastante desta abordagem. David Haller é bastante cómico, fazendo piadas sempre que pode, fazendo lembrar um pouco o Homem-Aranha quando está em combate. Apesar de ser uma série com uma componente dramática forte, é também bastante cómica, tendo algumas piadas fantásticas direcionadas aos fãs acérrimos de BD.

É também refrescante ver um personagem com uma visão e ideais diferentes das quais estamos habituados para o futuro dos mutantes. As ideias de David Haller são mais frescas e originais, distanciando-se das de Charles Xavier e Magneto. No entanto, David possui em simultâneo o mesmo tipo de personalidade que levou o seu pai a tornar-se líder de uma das facções mutantes na terra.
Ainda não vi a série de TV, tendo intenções de o fazer em breve, mas sem dúvida que esta saga de 24 fascículos (já disponível num só volume) é mais que recomendável, mesmo para aqueles que não tenham qualquer interesse no personagem.
