Rogue One: A Star Wars Story é um filme americano de 2016 realizado por Gareth Edwards com Diego Luna e Felicity Jones nos principais papéis.

Quando foram anunciados os novos filmes de Star Wars, tal como a maior parte dos fãs da saga, torci o nariz. Quando foram anunciados spin-offs dos filmes da saga, ainda torci mais o nariz.

No entanto, ao ver o Force Awakens o ano passado a nostalgia bateu forte, e embora o filme fosse bastante parecido com o episódio IV, posso dizer que fiquei bastante agradado com o mesmo, criando algumas expectativas para este Rogue One. Com o anunciar do elenco e os trailers que iam saindo do filme, a expectativa foi aumentado, e agora que já o vi posso dizer que o filme não me desiludiu em nada.

Pegando na história que motiva o ataque à Estrela da Morte no episódio IV, Rogue One foca-se no plano para roubar os planos de construção desta. É-nos revelado então neste filme que a poderosa arma destruidora de planetas foi construída por Galen Erso (Mads Mikkelsen), um engenheiro simpatizante dos rebeldes que foi obrigado a trabalhar para o Império, simpatia essa que fez com que criasse um ponto fraco nesta arma poderosa.

Tendo perdido contacto com a filha, Jyn Erso (Felicity Jones), quando esta era pequena, o filme segue a aliança forçada desta com as forças rebeldes, com o objectivo de encontrarem o paradeiro do seu pai e recuperarem os planos da Estrela da Morte.

Não me querendo alongar muito sobre a história, um dos primeiros pontos fortes do filme foi fazer com que eu me importasse realmente com o desfecho deste, mesmo sabendo que os rebeldes iriam ter sucesso devido a este ser uma prequela dos filmes originais.

Dei por mim bastante ansioso com o aproximar do fim do filme, tendo para isto ajudado a excelente cena de batalha durante o resgate dos planos da Estrela da Morte, numa das melhores sequências de batalha de toda a saga Star Wars, senão mesmo a melhor. Fiquei completamente absorvido pela missão levada a cabo pelo esquadrão “Rogue One” e pelo seu desenlace, tendo até ficado um pouco emocionado com a cena final do filme.

Ao contrário dos malfadados episódios I, II e III de George Lucas, aqui os personagens brilham, indo criando empatia com o espectador ao longo do filme devido aos traços particulares de personalidade que cada um deles tem. Arrisco-me até a dizer que este filme tem o Droid mais cativante de toda a saga, sendo o robô K-2SO um dos melhores personagens. Se em Force Awakens tivemos em Rey uma personagem principal com uma personalidade bastante positiva e poderes acima do normal, já neste Rogue One, Jyn Erso revela-se como uma personagem mais nivelada.

Com um passado traumatizante, a personalidade de Jyn vai mudando ao longo do filme, começando a simpatizar cada vez mais com a aliança rebelde devido à influência do seu pai. Jyn é provavelmente um dos melhores personagens femininos da saga Star Wars, fazendo lembrar a Princesa Leia, revelando-se uma líder natural, mas, mesmo assim, nunca parecendo fisicamente invulnerável, fazendo uso do seu intelecto e coragem para motivar os restantes membros da equipa a atingir os seus objectivos. Cassian Andor (Diego Luna) podia muito bem ser um companheiro de copos de Lando Calrissian e Han Solo. Cassian é um soldado dedicado à facção rebelde e o braço-direito de Jyn, com quem tem excelente química.

Outro casal com excelente química é o composto por Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e Baze Malbus (Jiang Wen). Na opinião sobre estes dois sou um pouco suspeito, pois sou grande adepto do trabalho de ambos no cinema asiático e sem dúvida que foram uma das grandes motivações para o meu entusiasmo quanto a este filme.

Em primeiro lugar, dão uma qualidade superior a algumas das cenas, sendo na minha opinião a cena de introdução de ambos os personagens uma das melhores cenas de acção do filme. Chirrut é o que se destaca mais durante, sendo a sua relação com a força bastante realçada. Baze não fala muito, mas tem uma presença notória quando aparece, chegando até a ser um pouco cómica em algumas cenas.  Mesmo que não haja uma muito diálogo entre os dois, estes partilham uma cumplicidade única durante o filme, num bromance digno de referência.

No geral todos os personagens estão bem, sendo este um dos filmes Star Wars com melhor elenco, com Riz Ahmed (Bodhi Rook), Mads Mikkelsen (Galen Erso) e Forrest Whitaker (Saw Gerrera) a elevarem a qualidade de representação de alguns dos personagens com menos tempo de ecrã (especialmente Riz Ahmed, que brilha como piloto imperial desertor que se junta aos rebeldes na sua missão). O vilão principal do filme, Orson Krennic (Ben Mendelsohn), é um dos personagens mais fraquinhos, o que também se deve às circunstâncias do filme, onde a figura de Darth Vader ofusca os restantes antagonistas de Rogue One.

Rogue One: A Star Wars Story é um filme que melhora os originais. Quando for rever a trilogia, vou ter agora uma experiência melhorada pelo pano de fundo que este filme cria.

Com um excelente elenco, uma banda sonora fantástica que nada fica a dever à dos originais, actores ressuscitados por CGI e um filme que não precisa de muitos sabres de luz para criar uma das histórias mais interessantes e comoventes deste franchising, Rogue One dá-me algumas esperanças para que estes “spin-offs” da história principal abram caminho para excelentes filmes que funcionam independentemente dos filmes principais da saga.