My Heart Is That Eternal Rose (殺手蝴蝶夢) é um filme de Hong Kong de 1989 realizado por Patrick Tam, com Kenny Bee, Tony Leung e Joey Wong nos principais papéis.

My Heart is That Eternal Rose, de Patrick Tam, um nome muitas vezes eclipsado por figuras maiores do cinema de Hong Kong, My Heart is That Eternal Rose é uma história de gangsters pintada com fatalismo, feita de gestos inacabados e despedidas que duram para sempre.

O enredo gira à volta de um triângulo amoroso: Cheung (Kenny Bee), um homem arrastado para o mundo do crime por amor; Lap (Tony Leung), um jovem gangster cúmplice silencioso e apaixonado; e Lillian (Joey Wong), a mulher que os une e separa. Todos presos num ciclo de escolhas erradas, feitas por acasos da sua vida.

Tam evita os excessos típicos do cinema de ação de Hong Kong da época. Em vez disso, aposta num registo mais contido, com ênfase nos olhares, nas pausas, nas consequências. Quando a violência surge, é breve e seca. A dor é mais emocional do que física.

A cinematografia de Christopher Doyle, ainda no início da sua carreira, já mostra o olhar que mais tarde o tornaria famoso com Wong Kar-wai. As cores são marcadas, a luz é crua, os espaços parecem sempre pequenos, sufocantes criando uma sensação constante de que ninguém ali tem para onde fugir.

A banda sonora mistura baladas melancólicas e sintetizadores típicos da época, dando ao filme um tom agridoce. A canção-título, cantada por Anita Mui é quase uma síntese do filme: bela e triste.

Tony Leung, num dos papéis do início da sua carreira, mesmo com poucas falas, carrega a sua personagem nos gestos e no olhar. É um papel discreto, mas eficaz, já demonstrando todo o talento que o viria a tornar num dos maiores nomes do cinema de Hong Kong (e mundial) nos anos seguintes.

My Heart is That Eternal Rose não tem a ação estilizada de John Woo nem a nostalgia poética de Wong Kar-wai, mas existe algures entre esses dois mundos. É mais sóbrio, mais silencioso. É sobre pessoas a tentarem manter alguma dignidade enquanto tudo à sua volta desaba.