Sunny (써니) é um filme sul-coreano de 2011 realizado por Kang Hyeong-cheol com Yoo Ho-jeong, Shim Eun-kyung, Jin Hee-kyung e Kang So-ra nos principais papéis.
Há certos filmes que me passariam completamente ao lado se não me fossem recomendados. Sunny é um desses casos. Esta obra realizada por Kang Hyeong-cheol só chegou ao meu radar graças a uma sugestão da minha esposa — que, mais uma vez, provou ser a mulher perfeita para mim.

Fazer um filme que combine com êxito a nostalgia da juventude com a força da amizade não é tarefa fácil. É um equilíbrio delicado, que pode facilmente descambar em dramatismo forçado ou melodrama excessivo. Mas Sunny encontra uma forma original de nos agarrar ao ecrã, à medida que vamos conhecendo melhor as suas personagens e descobrindo o que as une… e o que as separa.
Na-mi (Yoo Ho-jeong) é uma dona de casa de meia-idade que, apesar de levar uma vida confortável, sente a sua ligação ao marido e à filha a esmorecer. Um dia, ao visitar a mãe num hospital, reencontra Chun-hwa (Jin Hee-kyung), uma amiga de infância, que infelizmente sofre de cancro em fase terminal. Após algumas memórias partilhadas, Chun-hwa pede a Na-mi um último favor: reencontrar e voltar a unir o grupo de sete amigas que, em tempos, partilhou os dias do liceu com uma cumplicidade invejável.

A beleza de Sunny reside na forma como consegue, de maneira convincente, interligar dois elencos de personagens femininas em diferentes períodos da vida. A partir do reencontro entre Na-mi e Chun-hwa, o filme mergulha numa série de longos flashbacks que vão reconstruindo a história da amizade do grupo, revelando tanto os momentos luminosos como os mais sombrios. Há cenas de amor juvenil, mal-entendidos, desgostos profundos e até episódios algo bizarros — todos contribuem para a eventual separação do grupo.
Ao mesmo tempo, seguimos a jornada de Na-mi no presente, determinada a descobrir o paradeiro das antigas colegas e perceber até onde a vida as levou. Esta procura vai revelando surpresas e transformações inesperadas, com cada reencontro a reacender fragmentos da velha chama da amizade. O grupo vai-se reencontrando, pouco a pouco, mas agora em circunstâncias muito diferentes das do passado.

Sunny é, tal como o título indica, um filme caloroso e comovente. A forma como retrata os anos 80 na Coreia do Sul é deliciosa — há batalhas de dança, protestos estudantis e de trabalhadores, sonhos de um futuro utópico e uma banda sonora irresistível, onde Boney M e Cyndi Lauper andam de mãos dadas com a nostalgia.
O grande trunfo do filme está na sua honestidade emocional. Não há cinismo aqui. As personagens não são arquétipos de comédia juvenil — são seres humanos complexos, com falhas, desejos e passados que os assombram, onde sonhos ainda estão por alcançar ou então foram alcançados apenas para serem esmagados pelo peso da realidade. A estrutura narrativa em dois tempos permite esse espelho íntimo e certeiro: o que éramos, o que somos e o que ainda queremos ser.
É um filme que celebra a juventude, mas também a forma como as amizades verdadeiras sobrevivem ao tempo — mesmo quando a vida se encarrega de nos afastar.
